Pós-graduação 100% Digital: a importância do encontro síncrono em uma especialização lato sensu

7 min June 22, 2021
Educação

Tendência para a pós-graduação no período pós pandemia, ensino on-line deve aproveitar facilidades do mundo virtual sem abandonar a essência do convívio social

 

Que é possível oferecer especializações no ambiente virtual, isso todos sabem. Prova disso é a pesquisa da Semesp, que apontou um crescimento de 125% nas inscrições em cursos lato sensu com modalidade de Ensino a Distância entre 2016 e 2018. Hoje, 1 a cada 3 novos ingressantes optam pela pós EaD. Mas será que dá para abrir mão 100% do convívio em grupo em uma pós-graduação?

Denise Campos, vice-presidente acadêmica da Ânima Educação, aponta que o ensino on-line é tendência para o pós-pandemia e aposta nas potencialidades atuais oferecidas pela conectividade: a flexibilidade fornecida pelas ferramentas modernas do mundo virtual possibilita o desenvolvimento humano e aprofundamento técnico oferecido pela experiência síncrona.

“Uma vez que se tratam de alunos de pós-graduação, é necessário a flexibilidade de tempo e espaço que o digital oferece, ao mesmo tempo que é essencial a participação com experiências síncronas, ao vivo, que farão toda a diferença na experiência dele nessa fase da carreira e da vida”, diz.

 

Como unir síncrono e assíncrono em uma pós-graduação

No caso da Ânima Educação, o formato da nova especialização lato sensu foi pensado em torno de nanodegrees – pequenos cursos online, cada um com 30 horas de conteúdo digital autoinstrucionais, feitos de maneira autônoma e independente pelos alunos.

Já a finalização e aprofundamento de todo conhecimento adquirido acontece com encontros on-line, ao vivo. “Queremos fazer com que esse conjunto de encontros síncronos e nanodegrees digitais façam sentido para esse aluno que está nessa fase de pós-graduação. Isso pensando no mundo do trabalho de hoje, que exige dele diversos tipos de competências, tanto em termo de hard skills quanto de soft skills”, afirma Denise, que também é especialista em currículo integrado pela Universidade de Valência.

 

Mas por que o encontro on-line é tão importante para a pós-graduação?

Enquanto as hard skills, habilidades técnicas e práticas, podem facilmente ser aprendidas individualmente no ambiente virtual por meio de conteúdos em alguma das dezenas de formatos disponíveis no universo digital – videoaulas, simuladores, podcasts e até leituras sendo alguns exemplos disso –, as soft skills, competências socioemocionais e mais subjetivas, demandam experiências em grupo e comunicação ao vivo para serem desenvolvidas.

Entram neste campo de skills habilidades como boa comunicação interpessoal, saber problematizar, raciocínio lógico apurado, qualidades de liderança e resolução de conflitos, resiliência para se adaptar e superar os desafios da profissão, entre outras.

“Para incluir o síncrono e o autoinstrucional em nossa pós-graduação, fizemos um amplo estudo do que funciona atualmente em universidades de todo o mundo, e adotamos modelos como rotação individual e aula invertida, que apostam na personalização do ensino”, resume Denise, que leciona no meio universitário desde 1990.

 

Aplicando os encontros síncronos em uma pós-graduação 100% Digital

A nova pós-graduação 100% Digital do Ecossistema Ânima inclui quatro módulos, sendo que cada um deles contém duas nanodegrees digitais e uma terceira, chamado nanodegree experience – e é nesta última que ficam concentradas os encontros síncronos, responsáveis por problematizar e convergir todos os aprendizados obtidos com os conteúdos digitais do módulo.

  • Problematização

Como o próprio nome diz, o aluno é estimulado a problematizar e encontrar as questões-chave dos desafios da profissão e da vida real. Para isso, ele deve mobilizar todos os conhecimentos técnicos, ou seja, as hard skills adquiridas no ambiente digital. A partir delas, levantam-se questionamentos em debates em grupo, buscando sempre aprofundar o aprendizado com uma troca rica de conhecimentos.

Ao ser desafiado a identificar os principais pontos e problematizar tudo que foi aprendido em debates mediados por professores, o estudante pratica uma habilidade que não pode ser aprendida ao ler um texto: a de questionar, se expressar e se comunicar, além de debater em grupo as questões-chave de um desafio complexo para chegar a soluções em equipe.

  • Viagem

A viagem é o ponto forte do encontro síncrono. O enfoque, neste segundo momento de convívio on-line, é explorar ainda mais a fundo as soft skills. Para isso, a ideia é que a aula proponha um método sempre inusitado, buscando abordar o conteúdo por um viés mais “inovador”.

“A viagem deve oferecer experiências para o aluno redescobrir e aprofundar, por meios mais lúdicos, os conteúdos disponibilizados no ambiente digital. Ele vai se deparar com uma experiência prática e precisará buscar na memória todos os conteúdos que aprendeu nas nanodegrees. A partir daí deverá explorar outras inteligências, como a criatividade e o raciocínio lógico, na procura por novas formas de solucionar desafios práticos, sempre relacionados ao mundo real. É, basicamente, o aprender a fazer por conta própria”, diz Denise.

A experiência proposta pela viagem tem como foco incitar os estudantes a praticar diversas habilidades consideradas competências socioemocionais, como exercer a liderança, a capacidade de se comunicar com clareza e a mediar debates, e ainda trabalhar em grupos com foco em chegar a uma solução em conjunto, um dos elementos mais importantes do projeto de pós-graduação da Ânima Educação.

  • Plenária

A plenária, como terceira estação do encontro síncrono, tem uma missão clara: convergir e sistematizar tudo que o aluno aprendeu ao longo do módulo – tanto nas nanodegrees digitais quanto na problematização e na viagem. Um expert, com conhecimento profundo e vasta vivência na área de conhecimento, é o responsável por fazer essa “amarra” do conteúdo em uma grande plenária on-line.

O aluno estuda autonomamente nas nanodegrees; passa pela problematização, onde expande o universo do aprendizado com questionamentos e levantamento de problemas-chave; faz a viagem, na qual descobre o conhecimento de uma outra forma, mais lúdica e prática; e, enfim, chega na plenária, quando um expert, uma pessoa que tem muita vivência no assunto, tanto profissional quanto teórico-científico, deverá organizar todas as questões levantadas na problematização e nas nanodegrees e convergir para uma conclusão do aprendizado, fechando o módulo.

“A plenária finaliza a sequência lógica de todo o módulo 100% Digital”, resume Denise.

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